quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Símbolos Cristãos Utilizados na Liturgia

Costumam dizer que a bandeira nacional é um símbolo da pátria. Isto quer dizer que quando você vê ou toca a bandeira, logo seu pensamento voa até o país que ela representa, por exemplo, o Brasil. Então, através da bandeira do Brasil você passa a considerar tudo o que pertence ao Brasil, sua extensão, as matas, os rios, as riquezas, o povo, enfim tudo o que faz parte do Brasil. Se esse alguém ofender a bandeira mexe com o sentimento patriótico.
Então o símbolo (objeto) nos transporta para outra realidade que está além do símbolo e tem relação com símbolo. Vamos dar um exemplo, tirado do mundo cristão: o crucifixo.
Todo cristão reconhece no crucificado a pessoa de Jesus Cristo, que redimiu do pecado e nos salvou. Portanto, aquele objeto de metal, madeira, ou de outro material, simboliza nosso Redentor, Jesus Cristo. Por isso tratamos com respeito o crucifixo.
     
             A seguir alguns sinais ou símbolos cristãos utilizados com freqüência na liturgia.

 AQ: São a primeira e as últimas letras do alfabeto grego (Alfa e Omega). São aplicadas a Cristo, principio e fim de todas as coisas. Em geral aparecem no círio pascal, mas também nos paramentos litúrgicos, no ambão e no tabernáculos





 
  
Este sinal é formado por duas letras do alfabeto grego (X-P) e correspondem ao C e R da língua portuguesa. Ajustando as duas, formavam-se as inicias da palavra Cristos: Cristo. Com freqüência este sinal aparece nos paramentos dos padres, no ambão, na porta do sacrário e na hóstia.



 


IHS: São inicias das palavras latinas Iesus Hominum Salvator, que significa: Jesus Salvador dos Homens. Geralmente são empregadas nas portas dos tabernáculos e nas hóstias.







PEIXE: Símbolos de Cristo. No inicio do cristianismo, em tempos de perseguição, o peixe era o sinal que os cristãos usavam para representar o Salvador. E que as inicias da palavra peixe na língua grega - IXTYS - explicavam que era Jesus: Iesus Cristos Teós Yós Sotér: Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador.





As letras INRI são as inicias das palavras latinas Iesus Nazarenus Rex Iudocorum, que significaram: Jesus Rei dos Judeus. O Evangelho de João nos informa que estas palavras estavam escritas em três línguas (hebraico, latim, grego) sobre a cruz de Jesus (cf, João. 19,19).







 Triângulo: com três ângulos iguais (eqüilátero) representa a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).









Conclusão



Os símbolos falam por si e têm grande poder de comunicação. Podemos escolher os símbolos para as celebrações, mas não devemos explicá-los, porque, à medida que explicamos, empobrecemos seus significados e encurtamos os seus alcances. Cada pessoa será atingida pelo símbolo conforme sua compreensão, sua historia de vida, sua situação no momento atual.
         Um símbolo bem aproveitado nas celebrações poderá ser suficiente para atingir os objetivos desejados pela equipe da liturgia. Por isso, sou do parecer que, numa mesma celebração litúrgica, não se devem acumular símbolos. Símbolos amontoados soam símbolos de símbolos desperdiçado

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O que é Liturgia


“A liturgia é a fonte primária do Verdadeiro espírito cristão” (Paulo VI)

Liturgia é, antes de tudo, AÇÃO. Ação supõe movimento. A liturgia se expressa mediante palavras e gestos. Por isso, dizemos que a Liturgia e feita de sinais sensíveis, ou seja, sinais que chegam aos nossos sentidos (audição, tato, olfato, paladar, visão).
Antigamente, fora do campo religioso, Liturgia queria dizer Ação do Povo. A igreja passou a aplicar este termo para indicar ação do povo Reunido para expressar sua Fé em Deus. 

O que é celebrar?

Celebrar tem vários significados: festejar em massa, solenizar, honrar, exaltar, cercar de cuidado e de estima. O ser humano é naturalmente celebrativo. As pessoas facilmente se reúnem para celebrar aniversários, vitórias esportivas, formaturas, batizados, casamentos, funerais, etc.


Celebrações Litúrgicas

O que são celebrações litúrgicas? 
São encontros de Deus com o seu povo reunido. Esses encontros se realizam mediante algumas condições que chamamos Elementos Constitutivos da celebração litúrgica.

Os principais elementos que constituem uma celebração litúrgica são os seguintes:

1.   Assembléia: São pessoas batizadas que se reúnem para celebrar.

2. Ministros: Há Ministros ordenados – Bispo, Padres, Diáconos-e os Ministros Instituídos – Leitores e Acólitos. Há inúmeros outros ministros não ordenados, nem instituídos: ministros extraordinários da eucaristia, ministros da palavra, ministros do batismo e ministros para os vários serviços da celebração litúrgica

3.  Proclamação da Palavra de Deus: Leitura de um trecho da Bíblia, escolhido para a celebração.

4. Palavra da Igreja (Sermão Pastorial): Explicação da palavra proclamada, homilia, e orações.

5.  Ações Simbólicas: Ritos e símbolos mediantes os quais os fiéis entram em comunhão com Deus.

6. Cantos: Indispensável na celebração, os cantos expressam harmonia dos cristãos, unida pela mesma fé.

7. Espaço: Local da celebração, mas significa também ocasião para se reforçar os laços de  fraternidade, momento da organização e luta por melhores condições de vida, e ambiente da festa humana.

         8. Tempo: É a sucessão de horas do dia e da noite, e também o instante da graça de Deus: são   
        momentos em que Deus, desde toda a eternidade, vai realizando seu plano de salvação na história humana.


Agentes da Pastoral Litúrgica  

Tendo presente que a liturgia tem seu “caráter” de iniciação e mistagogia, é fundamental que cada pessoa que participa das ações litúrgicas ou exerce alguma função nas celebrações receba a devida formação, tendo em vista a construção de comunidades eclesiais vivas, missionárias e colaboradoras no processo de transformação da sociedade.
Todas as pessoas que assumem funções (ministros ordenados, reconhecidos, confiados ou não) ou simplesmente participam na liturgia, precisam ser capacitadas para compreenderem melhor o que acontece quando celebramos os “mistérios de Cristo e da Igreja” (CNBB, doc 43, 193).
Quem ama a liturgia pode ser um bom agente da Pastoral Litúrgica. Quem ama sai de si mesmo, encontra o outro, transborda, oferece o que tem de melhor... A liturgia é um caminho de sedução que atrai para a comunhão com Deus e entre os homens e mulheres. Ela sacia nossa sede de Deus, como ato comunitário por uma participação plena, consciente, ativa e fecunda (SC, 27), nos orientando na dinâmica da história, sendo sensível às condições sócio-cultural do povo. Para a realização desses princípios fundamentais na liturgia, faz-se necessário uma adequada formação das pessoas para evitarmos certos erros, abusos e distorções em cada celebração do Mistério Pascal.
A Pastoral Litúrgica se traduz no cuidado das pessoas por aquilo que realizam, a fim de que a beleza de Deus se expresse e se manifeste no compromisso de nossa fé, no seguimento de Jesus Cristo e da construção do seu Reino para que vivamos numa sociedade mais justa, humana e fraterna.

Organização da Pastoral Litúrgica

O coração desta pastoral são as equipes de liturgia em todos os níveis. O trabalho em equipe é a base que consolida e sedimenta a Pastoral Litúrgica. Trata-se de um jeito de servir ao Reino, na Igreja, que ajuda a superar o isolamento nas ações, atitudes de monopólio  e poder tão prejudiciais na vida eclesial. Aprendemos com Jesus e com as primeiras Comunidades a não fazer nada sozinhos (Mc 3,13-19; Fl 2,1-5). Para isso é necessário que numa equipe de liturgia exista amizade, confiança, oração, respeito e valorização das pessoas, sendo um trabalho que ajude o Reino a crescer.
Coração da Pastoral Litúrgica é a equipe de liturgia. Ela deve integrar crianças, jovens, homens e mulheres (CNBB, doc 52, 42), tendo como tarefa principal a preparação das diversas celebrações do Mistério Pascal (Sacramentos, Celebração da Palavra de Deus, Ofício Divino, Exéquias, Bênçãos..), a busca de uma formação sistemática partir da Sagrada Escritura e dos Documentos do Magistério. 
É sempre oportuno recordar que todas as pessoas que exercem ministérios litúrgicos (ministros ordenados, reconhecidos e confiados ou instituídos, “cantores”e outros) fazem parte da equipe de liturgia.
É tarefa da equipe de liturgia: cuidar da vida litúrgica da comunidade e paróquia; investir na formação de seus agentes; adquirir subsídios; ajudar a assembléia a expressar sua vida e caminhada;  planejar, animar e coordenar a vida litúrgica da comunidade e paróquia; preparar as celebrações e auxiliar (assessorar) outras equipes que preparam para os sacramentos do Batismo, Matrimônio, celebrações ao redor da Palavra de Deus, celebrações sacramentais, Ofício Divino das Comunidades...Para que tudo isso aconteça é necessário uma boa coordenação.
Coração ou alma da Pastoral Litúrgica é a equipe ou as equipes de celebração litúrgica. Toda equipe de celebração deve ter presente  as orientações pastorais da Igreja para a preparação de uma celebração (CNBB, doc 43, 219-228), dando atenção aos diversos elementos: acolhida, presidência, leitores, procissões, cânticos, serviço da Mesa... Na preparação de uma celebração toda equipe de celebração litúrgica deve se deixar iluminar por um método (CNBB, doc 43, 211-228; Guia, 127-133), evitando a improvisação e fazendo com que nossas ações sejam  eficazes (IGMR, 352). 
É fundamental pensar na constituição destas equipes com pessoas que devem caracterizar-se: pelo espírito de serviço e de comunhão; pelo engajamento comunitário; pela capacidade de trabalhar em equipe; pelo exemplo de participação, oração e escuta e pela vontade de celebrar da melhor forma possível, entre outros aspectos.
Importante é avaliar as ações antes de programar outra. Ter presente que a equipe deve gerar comunhão e participação e que a função primordial é ajudar, fortalecer, animar, interligar, coordenar...
Elementos que não podem faltar em nossas equipes de Pastoral Litúrgica: criatividade; animação da vida litúrgica da comunidade; capacidade de análise e sintonia com a realidade eclesial e social; planejamento das ações de acordo com o ano litúrgico; elaboração de subsídios; contato com o que a Igreja do Brasil está publicando; busca permanente de autoformação litúrgica; aprofundamento do sentido do canto e da música na liturgia, preparação das pessoas para os ministérios que desempenham (leitores, cantores, instrumentistas); elaboração de subsídios (roteiros de celebrações...); integração das pessoas das diversas pastorais, associações e movimentos existentes na Comunidade;  ser um elo na Comunidade,  entre outros aspectos.
O serviço de animação de vida litúrgica de uma Comunidade, Paróquia ou (Arqui)Diocese requer um bom plano de ação que garanta a comunhão e a participação. O planejamento participativo é o mais indicado. Ele permite o conhecimento da realidade, o estabelecimento de prioridades, a elaboração dos projetos ou atividades...
         É um caminho que supõe avaliação permanente.