“A liturgia é a fonte primária do Verdadeiro espírito cristão” (Paulo VI)
Liturgia é, antes de tudo, AÇÃO. Ação supõe movimento. A liturgia se expressa mediante palavras e gestos. Por isso, dizemos que a Liturgia e feita de sinais sensíveis, ou seja, sinais que chegam aos nossos sentidos (audição, tato, olfato, paladar, visão).
Antigamente, fora do campo religioso, Liturgia queria dizer Ação do Povo. A igreja passou a aplicar este termo para indicar ação do povo Reunido para expressar sua Fé em Deus.
O que é celebrar?
Celebrar tem vários significados: festejar em massa, solenizar, honrar, exaltar, cercar de cuidado e de estima. O ser humano é naturalmente celebrativo. As pessoas facilmente se reúnem para celebrar aniversários, vitórias esportivas, formaturas, batizados, casamentos, funerais, etc.
Celebrações Litúrgicas
O que são celebrações litúrgicas?
São encontros de Deus com o seu povo reunido. Esses encontros se realizam mediante algumas condições que chamamos Elementos Constitutivos da celebração litúrgica.
Os principais elementos que constituem uma celebração litúrgica são os seguintes:
1. Assembléia: São pessoas batizadas que se reúnem para celebrar.
2. Ministros: Há Ministros ordenados – Bispo, Padres, Diáconos-e os Ministros Instituídos – Leitores e Acólitos. Há inúmeros outros ministros não ordenados, nem instituídos: ministros extraordinários da eucaristia, ministros da palavra, ministros do batismo e ministros para os vários serviços da celebração litúrgica
3. Proclamação da Palavra de Deus: Leitura de um trecho da Bíblia, escolhido para a celebração.
4. Palavra da Igreja (Sermão Pastorial): Explicação da palavra proclamada, homilia, e orações.
5. Ações Simbólicas: Ritos e símbolos mediantes os quais os fiéis entram em comunhão com Deus.
6. Cantos: Indispensável na celebração, os cantos expressam harmonia dos cristãos, unida pela mesma fé.
7. Espaço: Local da celebração, mas significa também ocasião para se reforçar os laços de fraternidade, momento da organização e luta por melhores condições de vida, e ambiente da festa humana.
8. Tempo: É a sucessão de horas do dia e da noite, e também o instante da graça de Deus: são
momentos em que Deus, desde toda a eternidade, vai realizando seu plano de salvação na história humana.
Agentes da Pastoral Litúrgica
Tendo presente que a liturgia tem seu “caráter” de iniciação e mistagogia, é fundamental que cada pessoa que participa das ações litúrgicas ou exerce alguma função nas celebrações receba a devida formação, tendo em vista a construção de comunidades eclesiais vivas, missionárias e colaboradoras no processo de transformação da sociedade.
Todas as pessoas que assumem funções (ministros ordenados, reconhecidos, confiados ou não) ou simplesmente participam na liturgia, precisam ser capacitadas para compreenderem melhor o que acontece quando celebramos os “mistérios de Cristo e da Igreja” (CNBB, doc 43, 193).
Quem ama a liturgia pode ser um bom agente da Pastoral Litúrgica. Quem ama sai de si mesmo, encontra o outro, transborda, oferece o que tem de melhor... A liturgia é um caminho de sedução que atrai para a comunhão com Deus e entre os homens e mulheres. Ela sacia nossa sede de Deus, como ato comunitário por uma participação plena, consciente, ativa e fecunda (SC, 27), nos orientando na dinâmica da história, sendo sensível às condições sócio-cultural do povo. Para a realização desses princípios fundamentais na liturgia, faz-se necessário uma adequada formação das pessoas para evitarmos certos erros, abusos e distorções em cada celebração do Mistério Pascal.
A Pastoral Litúrgica se traduz no cuidado das pessoas por aquilo que realizam, a fim de que a beleza de Deus se expresse e se manifeste no compromisso de nossa fé, no seguimento de Jesus Cristo e da construção do seu Reino para que vivamos numa sociedade mais justa, humana e fraterna.
Organização da Pastoral Litúrgica
O coração desta pastoral são as equipes de liturgia em todos os níveis. O trabalho em equipe é a base que consolida e sedimenta a Pastoral Litúrgica. Trata-se de um jeito de servir ao Reino, na Igreja, que ajuda a superar o isolamento nas ações, atitudes de monopólio e poder tão prejudiciais na vida eclesial. Aprendemos com Jesus e com as primeiras Comunidades a não fazer nada sozinhos (Mc 3,13-19; Fl 2,1-5). Para isso é necessário que numa equipe de liturgia exista amizade, confiança, oração, respeito e valorização das pessoas, sendo um trabalho que ajude o Reino a crescer.
Coração da Pastoral Litúrgica é a equipe de liturgia. Ela deve integrar crianças, jovens, homens e mulheres (CNBB, doc 52, 42), tendo como tarefa principal a preparação das diversas celebrações do Mistério Pascal (Sacramentos, Celebração da Palavra de Deus, Ofício Divino, Exéquias, Bênçãos..), a busca de uma formação sistemática partir da Sagrada Escritura e dos Documentos do Magistério.
É sempre oportuno recordar que todas as pessoas que exercem ministérios litúrgicos (ministros ordenados, reconhecidos e confiados ou instituídos, “cantores”e outros) fazem parte da equipe de liturgia.
É tarefa da equipe de liturgia: cuidar da vida litúrgica da comunidade e paróquia; investir na formação de seus agentes; adquirir subsídios; ajudar a assembléia a expressar sua vida e caminhada; planejar, animar e coordenar a vida litúrgica da comunidade e paróquia; preparar as celebrações e auxiliar (assessorar) outras equipes que preparam para os sacramentos do Batismo, Matrimônio, celebrações ao redor da Palavra de Deus, celebrações sacramentais, Ofício Divino das Comunidades...Para que tudo isso aconteça é necessário uma boa coordenação.
Coração ou alma da Pastoral Litúrgica é a equipe ou as equipes de celebração litúrgica. Toda equipe de celebração deve ter presente as orientações pastorais da Igreja para a preparação de uma celebração (CNBB, doc 43, 219-228), dando atenção aos diversos elementos: acolhida, presidência, leitores, procissões, cânticos, serviço da Mesa... Na preparação de uma celebração toda equipe de celebração litúrgica deve se deixar iluminar por um método (CNBB, doc 43, 211-228; Guia, 127-133), evitando a improvisação e fazendo com que nossas ações sejam eficazes (IGMR, 352).
É fundamental pensar na constituição destas equipes com pessoas que devem caracterizar-se: pelo espírito de serviço e de comunhão; pelo engajamento comunitário; pela capacidade de trabalhar em equipe; pelo exemplo de participação, oração e escuta e pela vontade de celebrar da melhor forma possível, entre outros aspectos.
Importante é avaliar as ações antes de programar outra. Ter presente que a equipe deve gerar comunhão e participação e que a função primordial é ajudar, fortalecer, animar, interligar, coordenar...
Elementos que não podem faltar em nossas equipes de Pastoral Litúrgica: criatividade; animação da vida litúrgica da comunidade; capacidade de análise e sintonia com a realidade eclesial e social; planejamento das ações de acordo com o ano litúrgico; elaboração de subsídios; contato com o que a Igreja do Brasil está publicando; busca permanente de autoformação litúrgica; aprofundamento do sentido do canto e da música na liturgia, preparação das pessoas para os ministérios que desempenham (leitores, cantores, instrumentistas); elaboração de subsídios (roteiros de celebrações...); integração das pessoas das diversas pastorais, associações e movimentos existentes na Comunidade; ser um elo na Comunidade, entre outros aspectos.
O serviço de animação de vida litúrgica de uma Comunidade, Paróquia ou (Arqui)Diocese requer um bom plano de ação que garanta a comunhão e a participação. O planejamento participativo é o mais indicado. Ele permite o conhecimento da realidade, o estabelecimento de prioridades, a elaboração dos projetos ou atividades...
É um caminho que supõe avaliação permanente.
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